sábado, 6 de setembro de 2008

Morte de cadete de Santa Maria na Aman foi acidente, diz inquérito

Morte de cadete de Santa Maria na Aman foi acidente, diz inquérito
Concluído na quinta, documento aponta que não houve abusos nos treinamentos no Rio
Marilice Daronco marilice.daronco@diariosm.com.br

.Ocorreu um acidente de serviço, sem qualquer tipo de excesso por parte dos militares. Essa foi a conclusão do Inquérito Policial Militar instaurado pela Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) em relação a morte do cadete santa-mariense Maurício Silva Dias, 18 anos, e encerrado na última quinta-feira. O jovem passou mal enquanto participava de um treinamento militar e morreu em 13 de junho no Centro de Tratamento Intensivo da Policlínica de Resende, no Rio de Janeiro.
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Apesar de isentar seus militares da participação em qualquer ato que possa ter resultado na tragédia, o inquérito da Aman não responde a principal dúvida deixada na data da morte: a causa dela. Maurício cursava o terceiro ano do curso de Infantaria e era considerado um aluno exemplar. Ele participava do exercício chamado Prova Aspirante Mega, considerado um dos mais rígidos da Aman.
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Os alunos percorriam longas distâncias em áreas de campo aberto e mata Fechada, para chegar a 16 bases, numa seqüência de exercícios que durava 60 horas. O inquérito foi aberto em 16 de junho e levou 50 dias para ser concluído. Além do laudo da morte — que atesta causa desconhecida — também foram levados em conta os depoimentos dos cerca de 150 cadetes de terceiro ano que participavam do mesmo treinamento de Maurício. O documento afirma que "não houve indícios de crime militar ou comum e nem houve transgressão disciplinar dos militares envolvidos no exercício".
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O material diz ainda que "a causa da morte não foi determinada no laudo de exame do cadáver, sendo necessária a realização de exames complementares, que estão sendo efetuados no Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro". Reação da família A mãe de Maurício, a professora Cleuza Terezinha da Silva, 54 anos, soube da conclusão do inquérito por meio do general-de-brigada Gerson Menandro, comandante da Aman.
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Segundo Cleuza, Menandro contou que ficou comprovado que Maurício tinha feito todos os exames necessários para participar do campo. Como estava resfriado, ele teria até feito uma radiografia do pulmão. — Eu entreguei o meu filho saudável. Se ele estava com a saúde em dia e foi para o treinamento bem, algo tem de ter acontecido, afinal, ele morreu. Eu só quero saber o que causou a morte do meu filho.
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Quero a verdade e, que se existirem culpados, eles sejam punidos — afirma Cleuza. Na época da morte, existia uma dúvida se Maurício e seus colegas de farda não estariam submetidos a excessos, como não poderem beber água durante os treinamentos. Como a mãe de Maurício foi informada que os rins do filho pararam de funcionar, existe dúvida se a causa não foi esse tipo de excesso. — O general me informou que até a comida que deram para eles foi avaliada e que não havia problema algum — conta Cleuza. Ministério Público O resultado do inquérito foi encaminhado para a Justiça Militar.
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O Ministério Público (MP) irá decidir se dá prosseguimento a denúncia ou se pede o arquivamento do caso. A palavra final é do juiz militar que atua na área criminal. Os advogados Antonio Carlos Porto e Silva e Gilberto Carlos Weber, que defendem a família de Maurício, pediram cópia do inquérito. Eles pretendem analisar os dados para saber qual procedimento adotar. Mas, uma coisa está certa: pedirão uma indenização para Cleuza à Aman.
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Questionado sobre o fato do inquérito ter sido concluído antes da causa da morte ser apontada, o comandante da Aman afirma que as informações sobre o caso foram encaminhadas a Justiça Militar e são sigilosas. Ele garante que continua em contato com a família para que ela seja bem informada, mas que maiores esclarecimentos à imprensa só serão dados após a decisão da Justiça Militar. Homenagem Neste sábado, às 9h, cadetes da Aman que eram colegas de Maurício, farão uma homenagem a ele no Cemitério Ecumênico Municipal, em Santa Maria. O símbolo da Aman e um espadim — que representa a Infantaria, divisão de armas escolhidas por Maurício para seguir carreira — serão colocados sobre o túmulo do rapaz.

FONTE: http://zerohora.clicrbs.com.br/

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