terça-feira, 26 de agosto de 2008

OPERAÇÃO DESASTROSA DA PM (25/8/2008)

OPERAÇÃO DESASTROSA DA PM (25/8/2008)
PMs acusados depõem hoje

Militares são acusados de tentativa de homicídio ao disparar suas armas contra um veículo onde havia quatro cidadãosDez policiais militares denunciados pelo Ministério Público pela ação desastrosa contra um grupo de estrangeiros, durante uma perseguição policial e abordagem seguida de tiroteio, serão interrogados, hoje, pela Justiça.
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Os dez PMs deverão comparecer ao Fórum Clóvis Beviláqua para depor junto à Segunda Vara do Júri da Capital.Os militares denunciados são Francisco Emanuel Rodrigues Felipe, Francisco Elnias de Sousa, Luiz Ary da Silva Barbosa Júnior, Antônio Liberato Dias Neto, Francisco Eloy da Silva Neto, Marcelo Lima Alves, Antônio Eduardo Martins Maia, Francisco Edemildo de Lima, Rinaldo Carmo Sousa e Marcos Antônio da Silva. Sete deles pertencem à 4ªCompanhia do 5º BPM e outros três ao Canil São Lázaro.
Denúncia
O interrogatório dos PMs dará início à fase da instrução criminal do processo em que os militares são acusados de crimes de tentativa de homicídio, qualificada pela surpresa e com concurso de pessoas. A denúncia foi formulada no dia 14 de julho último pela promotora de Justiça, Alice Iracema Melo Aragão. Os militares, conforme o Comando da PM, foram afastados das operações.O incidente ocorreu na noite de 26 de setembro do ano passado, por volta de 21 horas, quando a Polícia tentava prender uma quadrilha de assaltantes que havia invadido o prédio da Empresa de Limpeza Urbana (Emlurb), no bairro Benfica, e roubado um caixa eletrônico. Na fuga, o bando teria utilizado uma caminhonete.
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Na Avenida Raul Barbosa, os PMs, divididos em patrulhas, acabaram perseguindo e atirando no carro errado: a Hilux preta, placas HXO-0816, que era ocupada pelo empresário Innocenzo Brancati e sua esposa, Denise Sales Brancati. Também no veículo estava um casal de espanhóis, Marcelino Ruiz Campelo e Maria Del Mar Santiago Almudever. Os dois últimos chegavam de férias a Fortaleza e tinham sido recepcionados, no Aeroporto Internacional Pinto Martins, por Innocenzo e a esposa.Acreditando que na Hilux estavam os assaltantes em fuga, os PMs iniciaram a perseguição e efetuaram vários tiros, lesionando Innocenzo e Marcelino Ruiz.
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Em conseqüência dos tiros disparados pelos PMs, Marcelino Ruiz ficou paraplégico. A única a sair ilesa foi a turista espanhola Maria Del Mar Santiago Almudever.TestemunhaSegundo a denúncia da promotora Alice Iracema Aragão, “ao perceberem o deplorável equívoco e suas conseqüências nefastas, os policiais providenciaram o socorro às vítimas.”A promotora foi mais além, ao criticar as investigações sobre o caso: ´verifica-se pelo depoimento testemunhal, e ainda, pela gravação de parte da desairosa ocorrência policial, que inúmeras viaturas participaram da operação, entretanto, apesar dos esforços do Ministério Público, a Polícia judiciária não conseguiu, ou não desejou, identificar os demais policiais que participaram da execução criminosa.”
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Oito dos dez policiais denunciados confessaram, espontaneamente, o crime. Apenas dois, Antônio Liberato Dias Neto e Marcos Antônio da Silva, negaram participação. Eles foram submetidos a exame de parafina e o resultado foi negativo, segundo a denúncia.O processo está sendo acompanhado pelo advogado criminalista Leandro Vasquez, contratado pela família das vítimas do atentado.Os mesmos PMs também foram denunciados pelo promotor de Justiça Militar, Joathan de Castro Machado, no dia 20 de julho passado. ´A autoria (do crime) é inconteste e a materialidade consubstanciada pelas declarações das testemunhas e pelo conjunto probatório constante dos autos, especialmente os laudos”, diz o promotor militar na denúncia.No mesmo documento, Joathan requisitou diligências para obter - com urgência - os laudos de exames residuográfico, de parafina e balístico.
FIQUE POR DENTRO
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Militares foram alvos de duas denúncias do MPOs dez policiais militares, mesmo estando em serviço, foram denunciados por crime comum junto à Segunda Vara do Júri da Capital. Paralelamente, a Justiça Militar também ofereceu denúncia contra os acusados.
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A Justiça terá agora que decidir qual instância será a responsável pela tramitação do processo. Em documento encaminhado ao juiz auditor militar do Estado do Ceará, o advogado Leandro Vasquez, assistente da acusação, discordou do promotor militar ao afirmar que ´a imputação de crime de lesão corporal não pode prosperar´. Para ele, houve, sim, um crime de tentativa de homicídio contra as quatro vítimas.
Fernando Ribeiro
Editor
FONTE: http://diariodonordeste.globo.com (ACESSE O SITE E VEJA AS FOTOS)

Um comentário:

  1. Cada dia que passa, vemos mais casos desse tipo envolvendo PMs. Será que não está na hora do Poder Público investir um pouco mais na area de segurança pra dar uma melhor formação aos nossos policiais.

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